Horta Comunitária Família de Maria transforma área ociosa na CIC e beneficia famílias da região
- jornalrotasul
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Prefeito Eduardo Pimentel na inauguração da Horta Comunitária Família de Maria, na CIC. Foto: Pedro Ribas/SECOM
A Prefeitura de Curitiba inaugurou, nesta quinta-feira (12/2), a horta Comunitária Família de Maria, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), ampliando a política de Agricultura Urbana e fortalecendo a segurança alimentar na região.
Com aproximadamente 1.000 m² e 65 canteiros, o novo espaço, que vai beneficiar diretamente famílias e o Instituto São Zygmunt Felinsky, conta ainda com pomar de citrus e árvores nativas, compostagem de resíduos orgânicos e uma colmeia de abelhas nativas sem ferrão.
O terreno, que antes era utilizado para descarte irregular de lixo e ponto de encontro de usuários de drogas, foi cedido por uma empresa gerida pelas empresárias Joecy de Abreu e sua filha, Ana Cristina de Abreu, que firmaram parceria com o município para viabilizar a implantação da horta.
A iniciativa atende a um pedido feito à primeira-dama Paula Mocellin, em junho de 2025, pela Irmã Celoir de Fátima Gonçalves Vieira, responsável pelo Instituto São Zygmunt Felinsky. A Prefeitura investiu aproximadamente R$ 18.146,20 em insumos para a implantação, incluindo terra, adubo, calcário, mudas, forro em PVC, material para cercamento, placas informativas, caixas d’água e colmeia.
O prefeito Eduardo Pimentel destacou o impacto social e urbano do projeto.
“Tenho trabalhado intensamente pela cidade, em parceria com nossa equipe, e temos alcançado progressos em diversas áreas. Um dos momentos mais gratificantes é a entrega de hortas urbanas. São espaços que antes não eram aproveitados. Embora muitos falem sobre cidades inteligentes, Curitiba, reconhecida internacionalmente, demonstra que a verdadeira inteligência reside na capacidade de transformar espaços ociosos em locais de produção de alimentos saudáveis, promovendo a união da comunidade e o bem-estar físico e mental”, afirmou.
Segundo o secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Leverci Silveira Filho, a nova unidade amplia uma rede já consolidada na cidade.
“Com esta nova horta, somamos 230 hortas no total. Na gestão do prefeito Eduardo, já foram inauguradas 16 hortas. Esta específica conta com 65 canteiros e atenderá muitas famílias. O terreno, anteriormente um local de descarte de lixo e ponto de encontro de usuários de drogas, agora será utilizado de forma produtiva. As famílias terão acesso a alimentos saudáveis e orgânicos, promovendo a interação social e os benefícios terapêuticos associados”, destacou.
Sucesso e participação da comunidade
A responsável pelo Instituto São Zygmunt Felinsky, Irmã Celoir, explicou que o projeto nasceu da necessidade de oferecer alimentos mais saudáveis às famílias atendidas.
“Estávamos buscando um espaço para que as famílias pudessem produzir alimentos saudáveis, uma vez que trabalhamos com a questão da alimentação saudável em nosso projeto. Entretanto, muitos não tinham condições de cultivar em suas residências. Surgiu, então, a ideia, com o apoio do assessor do então vereador Mauro Inácio, senhor Toninho, de procurar um terreno na região”, contou.
Ela disse ainda que após identificar o espaço adequado e contar com o apoio da empresa proprietária, a iniciativa ganhou força.
“Tem sido um sucesso. Começamos pensando em atender a uma parcela da população e, hoje, o projeto é majoritariamente voltado para a terceira idade. Contamos com a participação diária de cerca de 30 famílias. Há fila de espera para participar, pois já não dispomos de espaço suficiente. A atmosfera é de tranquilidade. Toda a vizinhança respeita o espaço”, afirmou.
A horta também contribui para as atividades do Instituto, que atende 156 crianças e adolescentes de 7 a 16 anos no contraturno escolar, a maioria estudantes da rede estadual e moradores de comunidades em situação de vulnerabilidade social. A instituição oferece oficinas, como a de panificação, mas ainda não dispõe de almoço para os jovens, que levam marmitas de casa.
Com o apoio da Administração Regional da CIC e da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN), o Instituto foi incluído no programa Armazém da Família e agora passa a contar com a produção da horta como reforço na promoção de alimentação saudável.
Transformação de vidas
Morador da região, o motorista Daniel Ognibene comemora a oportunidade de cultivar o próprio alimento.
“Estou cultivando alface, cebolinha e couve. Há também morangos, então a variedade é grande. Este local é fantástico, propiciando o cultivo de diversos alimentos para consumo próprio e, se desejado, para comercialização. É uma excelente iniciativa, que poderia ser replicada em outros locais da cidade, aproveitando terrenos antes ociosos”, disse.
O aposentado Leonel Kadashi, que já conheceu projetos semelhantes no Japão e na Suíça, afirmou que Curitiba está no caminho certo.
“Percebo algumas diferenças, mas acredito que podemos implementar ações semelhantes aqui. Se observarmos os terrenos ociosos em nossa cidade, notamos a presença de lixo, a proliferação de pragas e a ocorrência de delitos. Ao adotarmos essa prática, podemos transformar esses espaços, promovendo a união da comunidade”, afirmou.
As hortas comunitárias de Curitiba são iniciativas de Agricultura Urbana baseadas em práticas sustentáveis e agroecológicas. Além de promoverem segurança alimentar, incentivam o aproveitamento de resíduos orgânicos, a educação ambiental e o fortalecimento do trabalho coletivo.
Reconhecimento internacional
Recentemente Curitiba foi reconhecida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) como uma das cidades participantes do projeto internacional Generation Restoration (Geração Restauração), iniciativa vinculada à Década das Nações Unidas sobre Restauração de Ecossistemas (2021–2030). Ao concluir o ciclo iniciado em 2023, a capital paranaense recebeu o Certificado de Reconhecimento da Divisão de Mudança Climática do PNUMA, que destacou o “notável progresso alcançado” e o compromisso do município com a promoção de espaços urbanos mais verdes, resilientes e sustentáveis.
O documento, datado de 14 de janeiro de 2026, foi assinado por Gulnara Roll, chefe da Unidade de Cidades do PNUMA, em nome do organismo internacional e do ICLEI, rede global de governos locais para a sustentabilidade. No texto, o PNUMA parabeniza Curitiba pelo “significativo progresso alcançado” e pela participação ativa na agenda global de restauração ecológica urbana.
O reconhecimento internacional também leva em consideração o projeto piloto desenvolvido com apoio do PNUMA, voltado ao mapeamento, mensuração e comercialização de créditos de carbono gerados por iniciativas ambientais do município. A proposta busca ampliar o alcance de projetos de captura de carbono, inserindo-os no mercado e fortalecendo a economia sustentável local.
Entre as ações apresentadas estão a ampliação da arborização urbana, a recuperação de ecossistemas naturais, o fortalecimento das hortas comunitárias e das Fazendas Urbanas, reconhecidas internacionalmente por promoverem inclusão social e segurança alimentar, e o aprimoramento do Sistema de Gestão de Risco Climático, com monitoramento avançado para prevenção de desastres.
O encerramento do projeto-piloto foi marcado por uma oficina sobre Agricultura Urbana e créditos de carbono na Fazenda Urbana da CIC. O encontro reuniu servidores municipais, representantes da Copel e integrantes da sociedade civil, com apresentação de diagnósticos de áreas com potencial de restauração produtiva e discussão de alternativas de financiamento, como a criação de um Mercado Municipal de créditos de carbono.
Estudos técnicos indicam que a ampliação da Agricultura Urbana e periurbana pode gerar impactos expressivos para Curitiba, como maior infiltração da água da chuva, reduzindo riscos de enchentes, regulação térmica em áreas densamente ocupadas e potencial de sequestro de carbono estimado em 6,7% das emissões anuais da cidade. Esse volume equivale à retirada de aproximadamente 55 mil veículos movidos a gasolina de circulação durante um ano.






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