AFAPEN entrega termo de compromisso pela inclusão a Alisson Wandscheer e coloca famílias atípicas no centro do debate
Documento reúne propostas para ampliar o atendimento a pessoas neuro divergentes e criar uma rede de apoio para mães e cuidadores de Mandirituba
O diagnóstico de uma criança ou adolescente com autismo, TDAH ou deficiência intelectual costuma representar o início de uma nova rotina para toda a família. Entre consultas, terapias, escola e busca por atendimento especializado, mães e cuidadores também enfrentam sobrecarga emocional, dificuldades financeiras e, muitas vezes, o abandono da própria carreira. Foi a partir dessa realidade que a Associação de Familiares e Amigos de Pessoas com Esquizofrenia e Neuro divergentes (AFAPEN) entregou ao deputado estadual e candidato à reeleição Alisson Wandscheer o Termo de Compromisso pela Inclusão.
O documento reúne reivindicações apresentadas por famílias atípicas de diferentes regiões do Paraná e estabelece uma série de diretrizes relacionadas ao atendimento das pessoas neuro divergentes e ao suporte de quem exerce o papel de cuidador.
Entre os principais pontos estão o acesso mais ágil às terapias multidisciplinares, acolhimento psicológico e psiquiátrico após o diagnóstico, fortalecimento da inclusão escolar, apoio às instituições que atendem pessoas com deficiência e criação de alternativas de trabalho e geração de renda para mães cuidadoras.
“Quem cuida também precisa ser cuidado”
Para a presidente da AFAPEN, Gisele Miranda, um dos principais desafios é fazer com que as políticas públicas enxerguem a família como parte fundamental do processo de cuidado.
“Quando chega o diagnóstico, toda a família precisa se reorganizar. Muitas mães deixam o trabalho, abrem mão de projetos pessoais e passam a viver em função das terapias e das necessidades dos filhos. Só que, nesse processo, muitas vezes ninguém pergunta como essa mãe está. Precisamos de uma política pública que cuide da pessoa neuro divergente, mas que também cuide de quem cuida”, afirma.
Segundo Gisele, o termo surgiu justamente da necessidade de transformar as demandas apresentadas diariamente pelas famílias em propostas que possam ser discutidas e incorporadas às políticas públicas.
“Não estamos falando apenas de atendimento. Estamos falando de dignidade, autonomia, saúde mental, educação e condições para que essas famílias possam viver com mais segurança. Queremos que as leis que já existem saiam do papel e cheguem à vida real das pessoas”, acrescenta.
A realidade por trás do diagnóstico
A sobrecarga das mães atípicas é uma das questões destacadas pela entidade. Muitas precisam reduzir a jornada de trabalho ou deixar o mercado profissional para acompanhar os filhos em consultas, terapias e atividades escolares.
Há ainda casos em que as próprias mães recebem, já na vida adulta, diagnósticos relacionados à neuro divergência, como TDAH, depois de reconhecerem características semelhantes às observadas nos filhos.
“Quando entregam o laudo da criança, ninguém pergunta como a mãe está. A gente sofre em casa, na família. A mãe precisa ser cuidada para conseguir cuidar”, relata Patrícia Laine da Silva, mãe atípica e neuro divergente que participa de grupos de acolhimento e rodas de conversa.
Quatro eixos de atuação
O Termo de Compromisso apresentado pela AFAPEN concentra as reivindicações em diferentes frentes.
Atendimento e terapias: defesa de maior agilidade no acesso a profissionais como psicólogos, terapeutas ocupacionais e demais integrantes das equipes multidisciplinares.
Acolhimento às famílias: criação de mecanismos de suporte psicológico e psiquiátrico para mães e cuidadores, especialmente no período posterior ao diagnóstico.
Inclusão escolar: fortalecimento do atendimento pedagógico especializado e ampliação do suporte às instituições que trabalham diretamente com pessoas com deficiência.
Trabalho e renda: desenvolvimento de iniciativas que possibilitem às mães cuidadoras conciliar atividade profissional e responsabilidades familiares, incluindo alternativas de jornada flexível e meio período.
Do papel para a realidade
Outro ponto abordado no documento é a efetivação das legislações existentes. Entre elas está o Código Estadual da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, instituído pela Lei Estadual nº 21.964/2024, que estabelece direitos e diretrizes para políticas públicas voltadas às pessoas com TEA no Paraná.
Durante a assinatura, Alisson Wandscheer destacou a importância da participação das entidades na construção e no acompanhamento das políticas públicas.
“As entidades estão próximas da dor e entendem exatamente o que as famílias passam. O autista não pode esperar trinta dias, seis meses ou um ano por atendimento. O acolhimento e o acesso às terapias precisam acontecer de forma adequada e no tempo necessário. Além disso, cuidar das mães é uma urgência social que precisamos enfrentar com políticas públicas de verdade”, afirmou o parlamentar.
A assinatura do termo formaliza o compromisso apresentado pela AFAPEN e coloca entre as pautas discutidas a ampliação do atendimento especializado, a inclusão educacional, a saúde mental das famílias e a autonomia econômica das mães cuidadoras.
O encontro realizado nesta segunda-feira, 21 de setembro, contou também com a participação do prefeito de Mandirituba, Felipe Machado, do vice-prefeito Guilherme Gelatti e de lideranças municipais.





Comentários